One Week Post

First, think. Second, believe. Third, dream. And finally, dare. - Walt Disney

Parece que foi ontem que peguei um avião para Michigan, mas quem diria, já passou uma semana.

Acho que não consegui assimilar bem que estou aqui "definitivamente" e não em alguma viagem de férias ou a trabalho dos meus pais. As vezes eu acordo pela manhã, abro a janela e penso se preciso arrumar as malas para camareira vir, se perdi o horário do café do hotel e então me lembro que essa agora é minha casa e nada disso precisa ser feito. Tão estranho.

Eu morei em apenas três lugares a vida toda. Um apartamento alugado em são paulo. Um outro do qual passei grande parte da vida em uma rua da qual guardo recordações incríveis. E por último um último apartamento a cinco quarteirões do segundo. Exceto pelo alugado, os outros dois ficavam em uma cidade muito pequena onde eu -pelo menos- considero ter crescido e diria até, nascido. Para ter ideia, quem mora nessa cidade provavelmente tem a mesma sensação que eu tinha. Tudo lá é seu. Você tem seu mercado favorito, conhece seus vizinhos, anda pelas suas ruas e faz seus caminhos. Todos vão ao mesmo shopping, falam do mesmo jeito, conhecem as mesmas pessoas, estudam na mesma escola ou já estudaram, se vestem da mesma forma... Ta, eu sempre ODIEI muitas dessas coisas, principalmente o fato de conviver sempre com pessoas "iguais" mas adivinha do que mais sinto falta aqui? exatamente isso.

O Estados Unidos faz parte do sonho americano da maioria das pessoas, inclusive o meu. Vir pra cá definitivamente estava nos meus planos desde que vim - curiosamente pra Detroit, MI - pela primeira vez, vou chutar que em 2012. Aqui tudo é como nos filmes, aliás a vida aqui É UM FILME. Você tem neve em dezembro, tem aquelas comidas que você só vê na TV, uma lareira no meio da sala, músicas de natal em todos os lugares. Acho que de tanto ver essas coisas acontecendo só na "fantasia" é muito difícil aceitar que essa é a realidade agora. E olha que isso são só as "bobeiras" pelas quais eu fico encantada e que via nos filmes, tem muito mais por ai. MAS como eu disse no parágrafo de cima, minha realidade não tinha nada a ver com essa aqui.

Em uma semana aqui percebi que no fundo eu sinto falta de alguns hábitos que tinha lá. Sinto falta as vezes dos amigos que batiam na minha porta a toda hora. Sinto falta de visitar minha avó e minha família. Sinto falta até das brigas de condomínio - porque aqui eu mal sei quem são os vizinhos. Sinto falta até de reclamar do barulho dos carros de som da rua. Aqui na verdade não tem nada pra reclamar e acho isso "não-habitual".

Coisas que provavelmente seriam reclamação: Passo muito frio aqui, o dia escurece as seis da tarde, tudo fecha antes das nove da noite. Diferente da minha cidade, tudo aqui é longe, É LONGE PRA CARAMBA, pelo menos trinta ou vinte minutos daqui. Não posso andar sem luva, se não mal sinto meus dedos. As vezes me embolo falando com as pessoas em inglês. Mas quer saber? Mesmo com tudo isso eu não sinto vontade de reclamar, na verdade, tenho amado o frio, as pessoas, a cidade, a vida sabe? Que doideira.... Acho que isso significa estar feliz de verdade, ter uma dúzia de coisas para reclamar e tudo isso não parecer importante perto daquilo que tem te feito tão feliz.

Claro que, não vou mentir, eu queria ter trazido todos os meus amigos e pessoas que amo na bagagem. Essa tem sido a única coisa que realmente os EUA não vão poder me dar tão cedo e que me incomoda um pouquinho. Acho que amizade e todas as pessoas pelas quais tenho mania em proteger como as que eu tinha lá basicamente não vão existir aqui. Não porque não possam, mas porque tenho vínculos quase "indescritíveis e indefiníveis" com eles. Nós passamos por tantas provações da vida juntos, que eu os defino como apenas os "sobreviventes".  Meus  incríveis survivors,  Aloha ♥

Ainda assim e por uma coincidência estranha, muitas das pessoas que moravam na minha cidade também foram transferidas para cá nos últimos meses, estou descobrindo aos poucos. Algumas que na verdade entram nessa listinha acima e outras que começaram a entrar em especial, as crianças que se mudaram pra cá.  Quer me deixar feliz, é encontrar com as crianças. Imagina pra eles, uma língua nova, lugar novo, gente nova... e tão sempre felizes! Juro, dá um calor no coração ver que eles se adaptaram tão rápido. Vira e mexe pergunto de como foi a escola nos meses em que não estava aqui e eles contam como se fosse a coisa mais divertida do mundo.

Esse tipo de coisa dá até uma alegria né? Se eles conseguiram porque eu não conseguiria?

Fico então apenas na expectativa da próxima semana, do próximo mês, do próximo ano. Uma ansiedade boa que tem feito do meu coração sua casa... estou começando a fazer um quartinho pra ela, gostei de tê-la aqui. E conforme o tempo passa, farei daqui meu diário, sei que um dia lá na frente vai bater uma nostalgia gostosa de reler tudo isso e reviver todas essas sensações estranhas da primeira semana do resto da minha vida.


#TFWeekSong
Se agora minha vida é como um filme, faremos dele um clichezão. Para a passagem dos créditos e introdução a personagem, deixo a minha primeira trilha sonora aqui.


You May Also Like

4 comments

  1. Viva a vida feliz como se fosse um filme de verdade, com aquela alegria quente dos filmes de natal mesmo que esteja frio,as aulas como se fosse um eterno High School Musical,as ferias cheias de aventuras e musica quem nem no Camp Rock, aproveite as estações como se fossem trazidas por fadinhas da terra do nunca, principalmente o inverno onde é tempo de deixar os maus sentimentos irem (let it go) e começar seu próprio verão no coração. Aloha.

    ReplyDelete
    Replies
    1. Awn Tathay ♥ já chega assim devagarinho destruindo meu coraçãozinho. Viverei como me mandou viver, esperando ansiosamente por aquela parte do filme onde a gente chora de emoção quando nos vermos outra vez ♥ Aloha my little queen.

      Delete
  2. Replies
    1. Já vou contando o dinheiro e as milhas para nos vermos em breve ♥ Miss you ♥

      Delete