Sobrevivi - edição Panic! at the Disco

by - 12:00 PM


Eu tenho uma vida de noites felizes, relacionamentos frustrados e recomeços intensos onde minha única companhia foi a música desses caras.

Lembro da primeira vez que ouvi Panic! at the Disco na tv com o clipe de I Write Sins Not Tragedies. O quanto eu cantava repetidamente, tentando acompanhar as palavras que eram tão rápidas no meu karaokê. Me lembro da primeira vez que ouvi Ready to Go e o quanto isso me deu gás pra continuar e superar os problemas daquela época. The Ballad of Mona Lisa, foi minha única companhia e inspiração para uma das personagens mais fortes que já escrevi a respeito. Emperor's New Clothes, fez o sangue ferver quando muitas vezes levei puxadas de tapete e mesmo assim voltava pro meu lugar ao trono. E por fim the Death Of A Bachelor & Victorious quando preciso colocar minha cabeça e meu coração nos eixos.

Eu passei anos me apoiando nessas músicas e de repente surgiu a 10 minutos de casa um dos shows da turnê e por ser um dos meus sonhos, queria contar pra vocês como foi

Quem abriu os shows da Bachelor Tour?

Eu cheguei lá sem saber quem ia tocar e sai de lá levando um CD da banda hahaha essa sou eu!

A primeira banda foi Saint Motel, eu não sei explicar o estilo deles em uma palavra só porque é algo que beira um rock indie com instrumentos de jazz, com uma pegada mais antiguinha sabe? Os caras são muito foda! A música que abriu foi Cold Cold Man e em um refrão eu já tava cantando junto, pulando junto, batendo palma. Já tinha anotado o nome das músicas pra baixar quando chegasse, incluindo a última que eles tocaram que é meu amorzinho agora, My Type.

Depois rolou um intervalo de 10 minutos enquanto eles trocavam os instrumentos e começaram a trazer alguns equipamentos de luz. Eu vi um dos guitarristas da segunda banda pouco antes do show começar e dali já dava pra ver que eles ia ser daquelas bandas que você não consegue parar no lugar sabe? Misterwives é a representação de uma filha da MO com Paramore. Inclusive a voz da Mandy Lee - vocalista - É MUITO parecida com a da Hayley! A parte mais fofa do show, foi pouco antes de começarem Our Own House, a Mandy sentou no palco como se fosse amiga daquelas mil pessoas no estádio. Perguntou quem era novo por aqui, quem já vivia aqui, pediu pra todos olharem pros vizinhos de show e trocarem um sorriso, completou com um: "A música conecta todos nós aqui, não importa de onde viemos, nosso gênero, religião, nossa cor, ou se as pessoas no poder dizem que não somos bem-vindos. Essa é a nossa casa hoje e todos vocês são bem-vindos aqui."

Respira fundo, é hora do show!

Quero começar dizendo que começou uma contagem regressiva de dez minutos e meu coração já virou cada um daqueles segundos parecendo que ia parar de bater. Na contagem de um minuto o estádio todo levantou. Ouvi o pessoal pegando fôlego, as meninas soltando os cabelos e se alongando pra pular. Gritos ali e aqui de empolgação, amigos repetindo juntos "Eu não to pronto pra isso", acredite, parecia que ninguém estava preparado.

Quando a contagem acabou e as luzes apagaram, veio uma das sensações que mais gosto no show: acúmulo de energia. E lógico que assim que eles pisaram no palco o público só surtou ao som de Don't Threaten Me with a Good Time!

Ir ao show do Panic! é um tapa na cara atrás do outro. Geralmente as bandas fazem uma pausa entre uma música e outra, com Panic! a intenção deve ser matar o público do coração. Ready to Go foi a hora que eu desabei de chorar, por conta do que falei lá em cima. Isso assim, terceira música da noite! Ah, por falar nisso... quem disse que eles não podem tocar todos os álbuns em um único show? pois é, ainda fizeram um mashup das músicas que tecnicamente não caberiam inteiras, contando com meu amorzinho But It's better if you Do.

Descobri que os gringos piram muito com o combo de: Nine in the afternoon e Miss Jackson que vieram seguidinhas. Até então eu ainda estava gritando mais alto que elas, mas no primeiro refrão de MJ eu perdi feio. Coisa que eu achei até legal saber, aparentemente MJ foi a nossa "I Write Sins" das rádios, só que aqui.

As luzes do palco ficaram apagadas, a banda foi trocando as guitarras, ninguém sabia muito o que tava rolando até... uma luz no meio da plateia acender. Sim, Brendon lá, sentado em um piano como se fosse a coisa mais normal do mundo.

No primeiro acorde de This is Gospel, eu não consegui ver ninguém que não estivesse chorando ou cantando junto. A versão acústica é linda, mas ouvir e ver todas aquelas luzes acendendo aos poucos, foi o mesmo que olhar pro céu estrelado... então é, no tempo em que eu não estava chorando por estar emocionada, eu estava sorrindo e cantando baixinho com todo mundo.

Então, lá estava eu salvando a filmagem  de TIG quando o Brendon comentou que "Poxa, agora eu tenho que voltar pro palco" Oi? por alguns milésimos eu achei que meu tradutor mental tinha dado problema e foi quando aconteceu: ele foi pra plateia CANTANDO THE DEATH OF THE BACHELOR!
Eu queria pedir um minuto de consideração pra quem me viu alguns dias antes do show no twitter consciente de que ESSA SIM seria a música que ia me matar.... agora, eu tava esperando o Brendon ajudar com isso? CLARO QUE NÃO.

Minha unica chance de sobrevivencia naquela hora, era caso ele pegasse o caminho oposto de onde eu estava, digo, não passar perto de mim. Racionalmente eu torcia por que eu realmente estava passando muito mal, emocionalmente eu já tinha pensado na manchete do dia seguinte "estrangeira sofre parada cardíaca durante o show" e sinceramente tava pronta pra morrer. Eu vou deixar a imagem do lado e a resolução tremida dela, contar pra vocês o que aconteceu enquanto eu digo pra vocês a coisa importante:
Gringos são lerdos e muito educados, eles ficam bonitinhos no lugar deles....... os brasileiros? a gente acha uma brecha e sai correndo, ta loko. Em um segundo eu tava ali na grade depois de tirar a foto e eu acho que alguém me segurou antes de eu cair pra trás com o sorriso que ele me deu e aquela seguradinha de mão. Olha, sinceramente? depois dali eu nem sei como ele voltou pro palco e eu não sei como voltei pra minha fileira. Fato. Ah, sim, só pra fechar esses 10 minutos de surto... a música que ele cantou assim que pisou no palco? The Ballad of Mona lisa. Eu queria muito saber quem pagou eles pra colocar o setlist em uma ordem onde claramente eu ia sair dali carregada. E se chorei? Colega, até a gringa cantou comigo quando viu que eu era a pessoa mais surtada na fileira.

Uma coisa que eu curti muito, foi que o setlist virou um período dark/revange depois de Mona lisa. Emperors New Clothes, Nicotine e Let's Kill Tonight foram tocadas na sequência e interrompidas pelo Brendon Urie fazendo um solo de bateria com Bitch better have my money (Rihanna) e 24KMagic (Bruno Mars) - Sim, no show tudo acontece ao mesmo tempo, até demora pra assimilar.

Voltamos ao normal quando Girls/Girls/Boys tocou e nós fãs erguemos as lanternas dos celulares com um papel colorido na frente. O palace todo com elas iluminando com as cores do arco-iris o que rendeu um discurso maravilhoso da banda sobre amor e a capacidade que temos de transformar o mundo pra melhor apesar de tudo que está acontecendo aqui.

O panic! também prestou duas homenagens durante ao show, a primeira Movin Out - Billie Joey, e um pouco mais a frente Bohemian Rhapsody - Queen que foi a última música antes dos dois lacres da noite: I Write Sins not tragedies - que o Brendon acabou anunciando como "a música suuuuper nova da banda" antes de começar - e a música que resumiu a noite toda, VICTORIOUS!

Eu passei duas horas de show com os caras e mesmo depois de semanas meu cérebro ainda não consegue acreditar que eu estive lá. Revejo os vídeos pelo menos duas/três vezes no dia e ainda assim, acho que vou precisar de uns anos pra conseguir contar os detalhes daquela noite sem sentir meu corpo todo tremendo de adrenalina.

Queria dizer pra quem é fã de uma banda a muitos anos como eu, que se permita pelo menos UMA VEZ ir ve-los pessoalmente não importando quanto tempo já tenha passado. Eu cresci com eles e uma coisa que eu não conseguia parar de pensar no show é o quanto o meu "eu" de anos atrás estaria feliz de me ver lá, mais do que isso, eu pude recontar minha história através de cada verso que passou e não tem nada melhor do que reviver todos os momentos da sua vida olhando por uma new perspective.

Fica aqui a pergunta reflectiva pra você: qual é o show daquela sua banda favorita que você ainda ta esperando pra conhecer? E se já teve a chance, de quem foi?

Nos vemos na próxima escala,





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